Tamires Ferraz - Trabalho Gráfico
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terça-feira, 19 de março de 2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
Uma coisa significa outra coisa quando muda de lugar ?
Aparentemente não. Uma geladeira será
sempre uma geladeira na cozinha ou na calçada. Por outro lado, o contexto exige
uma reflexão. Analisando com um olhar mais critico, uma simples geladeira pode
transmitir uma mensagem se exposta num refeitório de um SPA.
Focando essa ideia para a arte, o
conceito não muda. O fato de um objeto está em um museu nos leva a questionar o
porque de algo simples e banal está ali, aonde se espera uma bela obra de arte.
A arte contemporânea nos induz
constantemente sobre esse questionamento através de obras que causam impacto,
desconforto e principalmente indignação. A essa ideia Piero Manzoni ilustra muito bem com sua
principal obra ‘’Merde d’Artista’’ ( Merda de Artista). Na década de 60, Manzoni enlatou as próprias fezes em 90
latinhas e vendeu a preço de ouro. Existem vários sentidos e conceitos à essa obra, há quem diga que nunca seria uma
‘arte’. Porem, é uma discussão longa, na qual a resposta para o que é ou não
arte precisa ser levada em conta; o que também nos leva a uma velha questão...
Da Arte Renascentista até a Arte
Moderna foram muitos os fatores que levaram às grandes mudanças. Junto com o
século XX veio também o grande interesse em refletir não apenas sobre o que é
arte, mas o papel dela na sociedade. Os questionamentos vanguardistas foram os
precursores dessa arte, que dão significado e importância a objetos que
anteriormente não seriam em hipótese alguma visto em um museu.
O
contexto pós-industrial norte-americano, pode exemplificar essa mudança
na arquitetura. Os homens buscavam ir para o subúrbio, fugindo do cenário
industrializado; alguns locais foram abandonados, como o Soho em NY. Os
artistas passaram a habitar o local, se apropriando de galpões e criando uma
nova tipologia: os lofts. Nisso o
significado da linguagem industrial foi requalificado, passando a ser entendido
também como lugar de moradia.
Não tem como falar em semiótica, sem deixar
de citar Duchamp; sua obra ‘’A Fonte’ foi considerada a mais influente de todos
os tempos. Essa importância não foi apenas pela obra propriamente dita e sim
pela sua mensagem. O contexto do vaso é que trouxe o significado. Assim como as
obras de Bispo do Rosário, artista sergipano com problemas de ordem psíquicas
que via em objetos do seu cotidiano ( no caso, os diversos hospícios em que
esteve e a Marinha onde trabalhou ) um significado artístico. Há quem diga que
era apenas obras fruto de sua loucura, sem nenhum valor.
Porem, para que suas obras fossem
compreendidas era preciso entender o contexto e a vida dele. Sua arte está ligada a uma história pessoal, que dá característica e um simbolismo que muitas
vezes só ele sabia.
Por fim, para entender melhor a
Pergunta-título é preciso levar em consideração a relevância do contexto e da
carga histórica na construção do significado.
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